Rotatividade-de-trabalho

Rotatividade de trabalho

Postos de trabalho precários, com baixa proteção social e de alta rotatividade. Este é o retrato do mercado de trabalho no Brasil apresentado no estudo do Dieese com os dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A taxa global de rotatividade de 63,7% em 2013 demonstra a intensa movimentação de mão de obra nas empresas, em especial nos canteiros de obras e nas lavouras, onde os contratos de trabalho são mais curtos e sazonais. As leis trabalhistas frouxas permitem o troca-troca de trabalhadores a qualquer tempo e sem motivação.

Menos de seis meses. Este é o tempo médio de duração de 45% dos contratos de trabalho vigentes entre 2002 e 2013 no mercado formal de trabalho. O estudo revela que 65% das demissões ocorrem em menos de um ano completo de carteira assinada. “A alta rotatividade do mercado vem combinada com o trabalho precário e a baixa qualificação da mão de obra”, destaca o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

Segundo ele, o lado positivo da pesquisa é que passaram de 15,6% em 2002 para 25% em 2013 os contratos de trabalho rompidos pela iniciativa do empregado. Na sua avaliação, é um indicativo que o brasileiro está mais escolarizado, pode escolher mais e buscar postos mais qualificados. Por outro lado, 68,3% das demissões em 2013 aconteceram por motivação patronal. “São postos de trabalho com baixa eficiência, como serventes, auxiliares, assistentes, cortadores de cana que refletem uma parte importante da economia brasileira de baixa produtividade.”

Dado
Outro dado preocupante é que os jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos concentram 30% dos desligamentos das empresas brasileiras, enquanto a turma entre 50 e 64 anos participou com apenas 7,1% das demissões no mesmo período. Para o técnico do Dieese, a menor experiência e a baixa qualificação profissional justificam a maior rotatividade da juventude no mercado. Na outra ponta, os trabalhadores de faixa etária mais elevada têm mais maturidade e são mais preparados.

A alta taxa de rotatividade de mão de obra no país é comparável à dos Estados Unidos. Nos países europeus, o tempo médio de permanência no emprego é o dobro do Brasil. Segundo Ganz, esse comportamento se deve às leis europeias de maior proteção ao trabalho, que impedem as demissões a qualquer tempo. Ele acrescenta que os postos de trabalho menos qualificados permitem as substituições mais rápidas e com baixo custo para o empregador.

Fonte: Diario de Pernambuco