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Recifense é menos consumista

Os jovens do Recife das classes C e D são menos consumistas que paulistas, cariocas e gaúchos. A conclusão é de um estudo realizado pela Consultoria Santo Caos, que entrevistou 812 jovens entre 16 e 22 anos de São Paulo, Rio de Janeiro, interior paulista, Recife e Porto Alegre. Com uma preferência de 44% em compras e lazer, os recifenses têm o menor índice em relação às regiões pesquisadas. A média geral é de 41%.

“Apesar da média geral revelar que muitos jovens trabalham para satisfazer necessidades pontuais, como um smartphone da moda ou viagens, os recifenses são os que menos gastam entre as cidades visitadas. No geral, os números quebram o paradigma de que todo jovem dessas camadas sociais são obrigados a ajudar os pais no sustento da família”, diz Jean Soldatelli, diretor de Novos Negócios e Comunicação do Santo Caos.

Entre as cidades pesquisadas, no Recife os jovens começam mais cedo a entrar no mercado de trabalho. Os principais interesses para ter um emprego tão cedo são sentir a realidade do mercado (26%), ter uma independência financeira (21%) e a necessidade de ajudar em casa (21%). “Mas essa necessidade é mais secundária, como pagar uma internet ou uma TV a cabo”, ressalta o diretor.

Os recifenses também são os que mais valorizam o plano de carreira e os que mais possuem cargos de gerência. “Com um percentual de 11%, eles ganham de São Paulo e Rio de Janeiro. Os jovens da capital pernambucana querem trabalhar em uma empresa que esteja de acordo com seus valores e princípios. Outra curiosidade é o alto número de jovens gerentes na região, isso está relacionado ao mercado de trabalho em expansão”, explica Jean Soldatelli, que tem a parceria de Guilherme Françolin e Daniel Santa Cruz na pesquisa.

“Fomos na casa de um jovem gerente de 20 anos na Região Metropolitana do Recife (RMR). Ele morava com os pais em um ambiente com dois dormitórios que estava em um estado ruim de conservação, mas mesmo assim era equipado com videogame de última geração e televisão de 60 polegadas. Isso mostra que eles gastam mais em conforto para dentro de casa”, enfatiza.

Segundo Soldatelli, os dados revelam uma alta rotatividade no mercado de trabalho. No Recife estão os que ficam menos tempo no trabalho: 30% permancem seis meses no trabalho. “A diferença de gerações, entre os empregados e os donos de empresas, acaba desmotivando os jovens. Eles querem tudo nas mãos e as empresas não estão preparadas”, diz.