obra

Setor carece de mão de obra qualificada.
Demanda só deve ser suprida em 2020, já cursos nos estado estão formando primeiras turmas

Setor de logística deverá continuar crescendo por muitas décadas, principalmente após a conclusão de obras como a da Transnordestina.
Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Thatiana Pimentel

Com salários que começam com R$ 1,2 mil para nível técnico, e que variam entre R$ 8 mil e R$ 20 mil em cargos gerenciais, o setor de logística está se tornando a maior promessa do mercado de trabalho pernambucano. Isto porque, em todos os níveis da cadeia, há escassez de mão de obra, principalmente nos dois principais polos de desenvolvimento do estado: Suape e Goiana.  A falta de pessoal qualificado incentiva, inclusive, a entrada de profissionais de outros estados no mercado local, o que encarece ainda mais os custos das empresas instaladas aqui. Dados da Associação Nordestina de Logística (Anelog) indicam que as indústrias pernambucanas já gastam 30% do faturamento com logística, valor bem acima dos 12% da média nacional.

Segundo o professor da MBA de logística da Faculdade Boa Viagem (FBV), Marcílio  Cunha,  o déficit de profissionais em Pernambuco só começará a ser suprido em 2020.  A previsão leva em conta a proliferação dos cursos que foram lançados do estado nos últimos três anos.  Atualmente, 18 instituições de ensino locais oferecem a graduação, especialização ou o técnico de logística entre elas a FBV, UPE, UFPE, Unicap, Etepam, Senac e Senai. A maioria das entidades está formando suas primeiras turmas neste ano.

“O maior problema é que mesmo os profissionais que estão sendo formados agora ainda chegarão no mercado de trabalho sem experiência e não vão suprir de imediato às necessidades das empresas. Contudo, quem estiver interessado, pode começar a se preparar agora, que terá grandes chances de ser absorvido pelo mercado”, detalha Cunha.  Ele ressalta que para trabalhar na área, é necessário ter jogo de cintura, organização, capacidade de planejamento, visão estratégica, mente analítica e liderança. “A principal característica é ser dinâmico. Tem que ter raciocínio rápido”, completa.

Marcondes Santos ingressou num curso técnico de logística e pensa deixar o emprego público para apostar nesta área. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Marcondes Santos ingressou num curso técnico de logística e pensa deixar o emprego público para apostar nesta área. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

O funcionário público Marcondes Santos, 47, vê tantas perspectivas no setor que pensa até em desistir da carreira pública para, no futuro, investir em uma empresa especializada na área.  O primeiro passo, ele já deu. Está inscrito no curso técnico de logística do Senac. “É uma grande oportunidade para os pernambucanos, porque o estado está recebendo muitas indústrias e a logística está presente em todas as etapas de funcionamento destas empresas. A Fiat, por exemplo, vai precisar de muita gente neste setor. Sei que o curso vai agregar valor à minha carreira e, mais para frente, poderei até abrir meu próprio negócio”, detalha.

Para Fernando Trigueiro, presidente da Anelog e coordenador do MBA de logística da UPE, o setor deverá continuar crescendo por muitas décadas, principalmente após a conclusão das obras da Transnordestina e do Arco Metropolitano. “A proliferação dos cursos não é um modismo. É uma necessidade. Quem está estudando vai encontrar oportunidades no mercado. É preciso, antes de tudo, analisar a qualidade do curso porque a teoria é 50% da formação”, planeja

Antônio Jacarandá, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado de Pernambuco , ressalta que a contratação de pessoas não qualificadas também aumenta os custos de logística em Pernambuco. “A logística serve para que a empresa tenha a organização, armazenamento e distribuição de seus produtos da forma mais eficiente possível, reduzindo desperdícios e gastos desnecessários. Quando a indústria tem um profissional não qualificado na área, ao invés de economizar, pode até gastar mais. A produtividade cai.”