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Jaraguá entra com pedido de recuperação judicial

Presente em Pernambuco, dívida da empresa no País chega a R$ 700 milhões

Com dívidas estimadas em R$ 700 milhões, a Jaraguá Equipamentos Industriais ingressou com pedido de recuperação judicial em São Paulo (endereço da matriz do grupo), no último dia 24. O pedido vale tanto para a empresa-mãe quanto para seus braços no País (Jaraguá Nordeste e Jaraguá Engenharia). Em Pernambuco, a companhia deixou débitos tanto com os trabalhadores quanto com empresas terceirizadas, que estão alegando dificuldades em arcar com compromissos trabalhistas por falta de pagamento.

Ontem, a procuradora do Trabalho em Pernambuco, Débora Tito, participou de audiência com fornecedoras da Jaraguá. “Estamos preparando um dossiê sobe o problema e numa próxima audiência, prevista para o dia 23, vamos apresentar o documento”, adianta, dizendo que vai convocar a Jaraguá e a Petrobras para o encontro.

No pedido de recuperação judicial (um processo com 1.032 páginas), a Jaraguá alega que mesmo tendo alcançando um faturamento de R$ 1 bilhão em 2013 não tem conseguido honrar os compromissos com os credores. A empresa justifica a dificuldade de fluxo de caixa é resultado de uma crise de mercado agravada pela concorrência dos chineses no segmento de equipamentos especiais e pelos efeitos da crise de 2008 no setor de óleo e gás. A Petrobras é a principal cliente do grupo, que surgiu em 1957 em São Paulo e tem fábricas em Pernambuco e Alagoas, além do Estado de origem.

Em Pernambuco, a empresa chegou no final de 2011, com a implantação de uma fábrica no Complexo de Suape. A presença local se justificou pela necessidade de atender às obras da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), da Petrobras. A companhia ganhou contratos da ordem de R$ 1,3 bilhão para construir fornos petroquímicos, além de outras unidades da Rnest. Acabou deixando o projeto sem concluir os contratos e com débito de R$ 46 milhões com os 1.300 funcionários. Protestos recorrentes e intervenção do MPT obrigaram a Petrobras a assumir a dívida com os trabalhadores, que foi quitada em junho.

Além da crise financeira, a Jaraguá também é investigada pela Polícia Federal como suspeita de ser uma das financiadoras do esquema montado pelo doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato.

Matéria : Jornal do Comércio – Link