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Ipojuca é campeã em desemprego

Desmobilização dos canteiros de obras, sazonalidade da entressafra da cana-de-açúcar, corte de mão de obra na indústria naval. A coincidência desses fatores colocou Ipojuca no pódio dos 50 municípios brasileiros que mais demitiram no primeiro semestre. De janeiro a junho foram eliminados 11.537 postos de trabalho com carteira na cidade onde está concentrado o parque industrial do Complexo Portuário de Suape. Os números estão no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O impacto negativo no mercado de trabalho já era esperado com o final das obras de construção civil da Refinaria Abreu e Lima, cujo pico empregou mais de 40 mil pessoas, equivalente ao garimpo de Serra Pelada, na década de 1980.

Diretor de Estudos, Pesquisa e Estatística da Agência Condepe-Fidem, Rodolfo Guimarães explica que Ipojuca passou pelo boom do emprego, cujo ápice foi registrado em 2010, com o saldo positivo de 16.870 vagas formais. “Esse boom gera atividades que impactam positivamente sobre o comércio e o setor de serviços. Com a desmobilização das obras da construção civil há um novo redesenho do emprego”, reforça.

Além da entressafra da cana-de-açúcar em junho, Guimarães cita a indústria de transformação, com a redução de vagas no Estaleiro Atlântico Sul, após a entrega da primeira plataforma de petróleo em dezembro do ano passado, e do navio Dragão do Mar, colocado no mar em abril deste ano. A mistura de indicadores negativos deflagrados ao mesmo tempo colocou Ipojuca como a campeã do desemprego no país.

Diagnóstico

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Ipojuca está concluindo o diagnóstico da mão de obra local para montar um plano de requalificação e relocação profissional. “A desmobilização dos canteiros reflete primeiro no município. Estamos mapeando as obras públicas e privadas para relocar estes trabalhadores”, diz Berenice de Andrade Lima, secretária de Desenvolvimento Econômico de Ipojuca.

 Paulo Muniz, secretario executivo do Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo do Estado, acrescenta que as agências do trabalho nos municípios estão cadastrando os demitidos e oferecendo cursos de qualificação do Programa Novos Talentos. Segundo ele, existe a migração de trabalhadores de Suape para Goiana, em busca de vagas.

O diretor de base do Sintepav (Sindicato da Indústria da Construção Pesada) Rogério Rocha, cobra dos governos estadual e municipal cursos de qualificação profissional para relocar os trabalhadores. “Só em maio e junho homologamos 5 mil desligamentos. O problema é o povo pernambucano que não é qualificado”.

 Texto: Diario de Pernambuco, caderno de Economia, repórter Rosa Falcão

Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press – 12/03/13