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Cresce diferença salarial entre homens e mulheres

O Fórum Econômico Mundial aponta aumento da desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil e esse é um dos fatores que faz o país perder nove posições, da 62ª para a 71ª, no seu Índice Global de Desigualdades de Gênero 2014.

O Brasil está agora na 124ª colocação entre 142 nações em relação à igualdade de salários. Por trabalho igual, as mulheres receberiam 51% do que é pago aos homens, em média, comparado a 54% no ano anterior. A renda media das mulheres no Brasil é estimada em US$ 10.820 comparado a US$ 18.402 dos homens, por ano. Globalmente, as diferenças de gênero para oportunidades e participação econômica são de 60%.

De acordo com o estudo, 59% de companhias têm participação feminina no seu controle acionário no Brasil, mas as mulheres ocupam apenas 9% de cargos em conselhos de administração de empresas listadas na bolsa de valores.

O relatório faz a classificação global considerando quatro áreas-chave: participação econômica (salários, oportunidade e liderança), educação (básica e avançada), capacitação política (representação nas estruturas de tomada de decisão) e saúde e sobrevivência (expectativa de vida e coeficiente sexual). Os resultados do índice podem ser interpretados como a porcentagem da diferença que foi fechada entre homens e mulheres, permitindo comparações entre países.

O relatório indica que o Brasil ficou na 15ª posição entre 25 países da América Latina e fechou um pouco abaixo de 70% sua diferença de gênero. O país caiu mesmo tendo fechado com sucesso lacunas entre gêneros no nível educação e no de saúde e sobrevivência. O declínio na igualdade salarial foi em parte compensado pelo aumento no período que o país tem uma mulher na Presidência.

O Brasil figura no relatório no grupo de países como Japão, Chile e Emirados Árabes Unidos, que investiram na educação das mulheres, mas não removeram barreiras para a maior participação feminina no trabalho. Uma prioridade no país deveria ser de garantir retornos em seus investimentos através do aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho.

“Alcançar a igualdade de gênero é obviamente necessário por razões econômicas. Somente as economias que tiverem total acesso a todos os seus talentos permanecerão competitivas e prosperarão. E mais importante, igualdade de gênero é uma questão de justiça”, diz em nota Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial. De acordo com o Fórum, pelo ritmo atual, serão necessários 81 anos para paridade de gênero na área de trabalho globalmente.

Os países nórdicos – pelo ranking, do primeiro ao quinto lugar: Islândia, Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca – continuam sendo a sociedade mais igualitária entre homens e mulheres no mundo. A Nicarágua chegou à sexta posição, graças ao desempenho em educação, saúde e política. Entre os membros do grupo Brics, o mais bem colocado é a África do Sul (18ª), pela participação feminina na política. O Brasil vem a seguir (71º), superando Rússia (75ª), China (87ª) e Índia (114)ª.

Fonte: Valor Econômico