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2015 não vai ser fácil

CENÁRIO Independentemente das urnas, ano será marcado por aperto financeiro. Será o reflexo dos erros cometidos.

Não importa o nome do próximo presidente. O ano de 2015 será difícil para o brasileiros, principalmente no que se refere ao custo de vida. A inflação será pressionada não só pelos preços hoje represados, caso da energia e da gasolina, mas também por causa do câmbio.

Raphael Juan, gestor da BBT Asset, diz que 2015 será o ano dos ajustes. “A regularização dos preços terá de ser feita, senão entraremos em colapso, pois aí vamos ter alta no desemprego”, diz. “Se entrar a oposição os ajustes serão mais imediatos. Se for governo, será mais gradual”, completa.

O fato é que 2015 reserva para o presidente o pior início de mandato desde que Fernando Henrique foi reeleito, em 1998, e o Plano Real entrou em colapso devido à escalada da dívida pública e ao esgotamento das reservas em dólar.

Em junho de 99, a economia acumulava queda de 0,6% em quatro trimestres. Nos dois primeiros trimestres deste ano, a economia recuou, 0,2% e 0,6% respectivamente.

Para o gestor da CRPC Asset, Luiz Fernando Araújo, o Brasil vive hoje um problema de credibilidade e isso afeta toda a perspectiva de melhora. A desconfiança afasta os investidores e com eles vão os dólares que poderiam estar sendo usados na economia. “O mercado teme o cenário da Argentina ou da Venezuela (intervencionismo na economia). Mas com a volta da confiança, o dólar volta a entrar e os juros futuros caem. Com isso cria-se um ambiente melhor de investimentos e há menos pressão inflacionária”, diz.

Neste sentido, quem mais vem sofrendo são as pessoas ligadas à indústria. “Se não houver melhoras na taxa de investimento, é difícil aumentar a produção. Esse ano a queda na produção deverá ficar em 1,95% e a expectativa para o ano que vem é de 1,5%. Ou seja, significa recuperar o que perdeu este ano e ainda ficar devendo”, diz o economista da Fiepe, Thobias Silva.

Para melhorar essa produção é necessário ajustar a contas públicas, de forma a estimular o investimento privado. “O governo terá de tomar algumas medidas de austeridade para ganhar a confiança e retomar o investimento”, disse.

Juan admite que boa parte dos ajustes terão efeitos amargos sobre a população. “No curto prazo são medidas impopulares. Mas no longo prazo, precisamos das reformas internas, que começam com a reforma política porque sem essa, não se tem ambiente político para reformas tributária e fiscal que deixarão o ambiente mais competitivo. E essas reformas a população quer”

Inflação seguirá acima da meta

Com a economia ainda em ritmo lento, o Banco Central projeta que a inflação recuará no primeiro ano do próximo governo, mas permanecerá acima da meta oficial. Os dados foram apresentados ontem, no Relatório Trimestral de Inflação. Na comparação com o documento de junho, há mais pessimismo com a economia, o BC, porém, ainda é mais otimista que os investidores e analistas do mercado.

A estimativa para o crescimento do PIB, a renda gerada no País), neste ano foi reduzida de 1,6% para 0,7%, exatamente uma semana antes, o Ministério do Planejamento havia calculado 0,9%. “A economia está crescendo a ritmo baixo, é verdade, certamente abaixo do potencial da economia brasileira”, afirmou Carlos Hamilton, diretor de Política Econômica do BC.

Os números são bem superiores às expectativas recém-divulgadas de bancos e consultorias, que apontam uma expansão de 0,29%. Não há ainda uma previsão oficial para 2015, mas o BC projeta que, no período de quatro trimestres até junho, o PIB terá crescido 1,2%. Em outras palavras, a produção e a renda continuarão em ritmo lento, com melhora modesta nos primeiros seis meses do próximo governo.

Trata-se do pior início de mandato desde que o tucano FHC foi reeleito, em 1998, e o Plano Real entrou em colapso devido à escalada da dívida pública e ao esgotamento das reservas em dólar. Em junho de 1999, a economia acumulava queda de 0,6% em quatro trimestres.

IPCA

Para o BC, a inflação, que se mantém acima da meta de 4,5% desde 2010, fechará mais este ano eleitoral em 6,3% e só cederá à estagnação da economia a partir do início de 2016. Estima-se um IPCA de 5,8% em 2015 e de 5% nos 12 meses encerrados em setembro de 2016, até onde vai o olhar do BC.

O mercado também é mais pessimista nesse caso: acredita-se que a inflação repetirá no próximo ano os 6,3% de 2014, em grande parte porque há reajustes represados de preços como os da gasolina e da energia elétrica.

Fonte: Leonardo Spinelli / Jornal do Commercio