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Só 22% dos brasileiros têm reservas para aposentadoria

Isso é o que aponta pesquisa mundial da seguradora Aegon, que entrevistou 16 mil pessoas em 15 países. Esta é a primeira vez que o levantamento inclui os brasileiros. Em terras tupiniquins 1.000 pessoas foram consultadas.

A pesquisa mostra, ainda, que 27% não têm qualquer plano para a aposentadoria. Na média dos demais países – o que inclui China, Índia, Estados Unidos, Holanda, Canadá, Reino Unido, Suécia, Turquia, Alemanha, Hungria, Espanha, Japão, França e Polônia –, esse percentual chega a 40%.

Na avaliação do professor de macroeconomia da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) e planejador financeiro Silvio Paixão, as pessoas não têm reservas para o momento de ‘pendurar as chuteiras’ basicamente por três motivos: 1) porque não é importante para elas; 2) porque não acreditam que vão viver até lá; 3) porque não sobram recursos.

A falta de dinheiro é um empecilho para a poupança apontado por 67% dos entrevistados. Numa lista com oito opções que incentivariam a formação de reserva para a aposentadoria, o aumento de salário é o primeiro da lista (46%), seguido por um ambiente econômico mais certo (39%) e incentivos fiscais mais generosos em produtos de aposentadoria e poupança de longo prazo (30%).

“A renda per capita do brasileiro gira em torno de R$ 2.000 por mês. Considerando que ele tenha família, composta por mulher e dois filhos, e que possui quatro grandes preocupações, que são se alimentar, manter um lar, trabalhar e estudar e ter o mínimo de qualidade de vida – que inclui 60% de renda comprometida com pagamentos regulares, como prestações –, não sobra dinheiro para poupar”, explica.

Aliado ao baixo rendimento, a população brasileira “é bastante analfabeta em relação às finanças pessoais”, ou seja, não tem a mínima cultura da poupança e tende a pensar em como sobreviver no momento, e não no futuro, afirma Paixão.

POUPADORES – Dentre os 22% que têm efetivamente solução contratada para cuidar da aposentadoria, conforme a pesquisa da Aegon, seja com poupança, contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ou previdência privada, por exemplo, a maioria (80%) vai depender da Previdência Social na velhice, estima o planejador financeiro. “Desse total, outros 15% são poupadores conscientes, que têm a noção de que só o INSS não vai bastar para manter o padrão de vida, e só 5% são elitistas e vão viver de modo independente, com suas próprias reservas, e sem precisar do auxílio eventual de outras pessoas, como parentes e amigos.”

Segundo o levantamento, inclusive, quando perguntados sobre o nível de confiança na manutenção de conforto contínuo na aposentadoria, somente 14% dos consultados se dizem extremamente ou muito confiantes. Para Andrea Levy, assessor especial da Mongeral Aegon, isso evidencia a necessidade de maior compromisso com planejamento financeiro e de buscar soluções mais flexíveis do que as atualmente disponíveis no País para facilitar a formação da poupança para a velhice.