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Nota oficial sobre a taxa Selic

Dose forte pode matar o paciente

Ao subir os juros, o governo dá um presentão de Natal aos especuladores. O governo insiste em editar medidas de aperto monetário num País que está com a atividade econômica estagnada e com uma indústria que vem acumulando resultados negativos mês após mês. Estas políticas inflacionárias mal orientadas deprimem ainda mais a economia, em vez de fazê-la crescer.

É bom ressaltar que o remédio do arrocho, em dose muito forte, pode intoxicar a economia e colocá-la na UTI. Estes juros proibitivos para o setor produtivo já comprometem as campanhas salariais das categorias com data-base no primeiro semestre de 2016. Não podemos permitir que a classe trabalhadora pague a conta dos desacertos e da equivocada equipe econômica. Infelizmente, o governo continua se curvando aos especuladores. De janeiro até agora, o governo pagou R$ 253 bilhões à turma da especulação.

O aperto sinaliza para a economia desacelerar, mas ela já está parada: PIB de (0,2%) e produção industrial acumulada no ano de -3,0%. Ora, já somos o terceiro país com maior superávit do mundo. E o primeiro do mundo quando o assunto é taxa de juros.

Para arrepio dos que defendem o desenvolvimento econômico sustentado com crescimento e geração de mais e melhores empregos, o governo que ainda não iniciou acaba de anunciar um ministro da Fazenda que promete reforçar o aperto monetário com austeridade fiscal, mantendo o câmbio flexível.

Os ministros anunciados, Joaquim Levi e Nelson Barbosa, acreditam que a política de salário mínimo – que cumpre papel importante na redução da desigualdade e na melhoria, ainda que minimamente, da condição de vida dos brasileiros – atingiu seu limite e não precisaria mais subir no mesmo ritmo. Em vez de recuperar a economia, essa guinada  pode levar o País à recessão e ao desemprego.

Miguel Torres,

Presidente da Força Sindical